Jose Grill analisa mão no Main Event do KSOP e relata tell preponderante

O profissional Jose Grill – “Guochi” para os íntimos – é um dos bons nomes do poker argentino na atualidade. Tecnicamente afiado, ele se tornou um dos participantes assíduos do KSOP. Em 2020, antes da pandemia, ele fez história ao cravar o Main Event da série em uma mesa final jogada em altíssimo nível.

Depois daquela cravada, Grill entrou para o mundo da Twitch e também criou um canal no Youtube. Nesta semana, ele fez um vídeo muito interessante sobre sua participação no Main Event do KSOP Fortaleza. O argentino foi eliminado na mesa semifinal, mas jogou uma mão, pouco antes, que rendeu uma análise bem didática.

A mão por si só já teria alguns conceitos, mas Grill ressalta um ponto chave para a decisão: um tell demonstrado pelo adversário, o brasileiro Antônio Carlos Oliveira. A jogada rola nos blinds 20.000 / 40.000 e Guochi, com , abre raise de MP para 80.000 fichas. Com um stack de cerca de 20 big blinds. A ação chega em Antônio, chip leader disparado, que defende o big blind.

O flop é . Nesta street, os dois decidem dar check. O turn vem um arisco . “Quando eu dou check no flop, sei que em muitos turns ele vai apostar”, conta. Ele lembra de uma mão com T3 off do adversário e fala: “ele vai usar um range muito mais amplo do que qualquer pessoa nesse turn. Ele sequer necessita ter bons blocker para fazer um blefe aqui”.

Carlos fez uma aposta de 90.000. “Super standard”, diz Grill. Ele deu o call e o river revelou , dobrando o board. O pote tem 400.000 fichas e Guochi cerca de 530.000 para trás. Neste momento, o brasileiro faz uma aposta de 100.000 fichas, apenas 25% do pote. Esse movimento deixou o argentino confuso.

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“Pra mim faz mais sentido pagar mais vezes all in do que um 25% do pote no river. Ele pode fazer com muitas mãos, com o 7 de copas de blocker, qualquer copas de blocker, com brocas para sequência, com muitas mãos dá para ir all in por blefe. Eu estou muito ‘capado’ a ter A alto. Depois tenho mãos como 44, 77 que não quer tomar muitos raises, alguns projetos de flush, alguns flushs que dei check no flop”, contextualiza Jose.

“Quando ele aposta 100.000, se está levando em conta como está composto o meu range, não precisa apostar somente com o 8 que tem um montão apostando nesse size, aposta com 68, com o 6, com o 2, com 5, com as sequências, com par de 3, par de 4, ok? Tem mais mãos que podem value betar esse size (do que o all in)”, explica.

Eis que veio alguns dos tells para formar a decisão, como uma mão anterior, a do T3 off, e uma percepção. Durante a pensativa, o argentino segura as fichas para possivelmente dar o call. Nesse momento, ele percebe que Carlos segura as cartas nas mãos, como se fosse dar o showdown rapidamente caso leve o call, tentando indicar que tem algo para mostrar.

“Quando um recreativo blefa, em minha experiência fui observando que quando alguém pega as fichas para pagar, geralmente tendem a fazer esse ato voluntario”, diz Guochi. “Foi um teste para terminar de definir minha decisão. É algo que vejo normalmente de recreativos. Querem demonstrar um ‘vou ganhar’”.

“Ninguém que tenha full, flush, 6, 5, 2 está desesperado para mostrar suas cartas. Muitas vezes, com as mãos médias (6, 5,2), fazem um micro slowroll porque não entendem com o que levaram call”, finaliza Grill. Ele estava correto: Carlos tinha blefe total com e o call de A alto foi certeiro para levar o pote.

Confira o vídeo:

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